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  • Ana Teresa Santos

Mamã

Acho que a forma mais simples de te começar a escrever-te é com um “Olá mamã”.

Sim, é um “olá” de saudade, mas um “olá” feliz, é alegre, cheio de paz, rodeado de alegria e com sabor a conquistas que tenho a certeza que estás a festejar taco-a-taco comigo.


Os meus dias têm sido uma autêntica montanha-russa (para variar). Qual moedinha para andar no carrossel, desconfio que devo ter enchido o depósito de número de voltas que a vida poderia dar.


A Marta foi para longe, a Avó aderiu aos smartphones e a cadela comeu-lhe o aparelho auditivo. Está cada dia mais surda, mas continua a ser a minha maior gargalhada- continua genial, portanto.


O Mano é a nossa lucidez e o pai é agora o meu maior confidente. É tipo um “Querido Diário”. Bem, acho que ele não estava preparado para a coisa, mas olha, até que não se adaptou mal ao papel. Todos os dias leva comigo no mínimo 20 minutinhos em chamada e aqui entre nós, não sei qual dos dois é o pior.


Fazes falta por cá “catraia”. Tenho saudades de tomar conta de ti e que me abraces depois de te dar na cabeça. Tenho saudades que apoies a minha loucura. Tenho saudades, tantas saudades, vivo disso. Sim, é disso mesmo que vivo, são as saudades que me suportam.


Se me dissessem há uns anos que a minha maior Musa partiria tão cedo possivelmente faria disso uma piada sem graça nenhuma. Agora o dia da tua partida tornou-se no meu amparo e o motivo primordial para me levantar e fazer cada dia mais e melhor, por mim e por todos aqueles que me rodeiam.


Faço questão de me honrar e de te honrar, todos os dias.


A nossa casa está tão bonita. De certeza que tens tanto gosto em vê-la. Claro que a mobilo com um ou outro “movelzito” que encontro junto ao lixo que posteriormente “reciclo”, (se é que se pode chamar ao que faço de reciclagem), e que faço um grito ao nível do “Tarzan” sempre que acabo o mês sem a conta a zeros, mas faço-o por nós- Pelo que nos ensinaste, pelas duas Mulheres que formaste e pelos valores que sempre quiseste ter a certeza que deixarias por cá.


Não faço ideia se outrora imaginaste partir sem sequer me deixares dar-te um valente beijinho e mandar-te ter “juízo”, mas uma coisa é certa, ensinaste-me que “o lugar da Mulher é exatamente onde ela quiser”, e que eu, independentemente de todo o meu sentido de humor completamente louco, de toda a minha falta de filtros, e de fazer amigos desde o senhor do autocarro, do Uber, do empregado do restaurante, das senhoras das limpezas, de quem repara as televisões, de quem trata da bricolage (…) sei, e tenho a certeza, que nunca te desonrarei em momento algum.


Sabes porquê? porque nunca me esquecerei que no meio de toda a minha energia tive o melhor que a vida me poderia ter dado:

O exemplo de Mulher que um dia eu sonho ser.


Até já miúda, fica descansada, as pontas estão seguras por aqui.

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UM DIA NA TERRA de Ana Teresa Santos

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