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  • Ana Teresa Santos

A sorte dá trabalho.

Trabalho desde miúda, literalmente. Sempre fui pessoa de “ir a todas”. Gosto de me sentir útil, e sempre tive a curiosidade de conhecer diferentes áreas, para ter a certeza absoluta de qual seria a minha paixão.


Todos os empregos por onde passei, têm apenas um ponto comum: A comunicação.

Fiz muita coisa, só “os meus” sabem da missa a metade.


Trabalhei para Operadoras de Comunicação, em Restaurantes, Bares, e cheguei a abrir a minha própria loja de roupa em segunda mão, aos 18 anos.

Sempre fui (exageradamente) poupada, e uma fura-vidas do pior. Vivi sempre com pouco, tivesse ou não necessidade de o fazer.


Não sou consumista, ou pelo menos, tento não ser.


Prefiro conhecer novos países, pessoas e culturas, do que ter o último topo de gama, seja do que for. Para ser sincera, atualmente, estou com um telemóvel despedaçado, um computador Toshiba, dos tempos do E-escola, e o meu carro tem direção assistida… a braços.


Mas já ouvi tantas vezes “A SORTE QUE TU TENS!”


Dizem-mo por ter um trabalho que adoro, e na minha área de interesse; Por ter um bom namorado, que me respeita; Por já ter a minha casa; Por viajar; Por ter um livro lançado. No fundo, por tudo o que sou.


Caramba, mas não pode ser tudo sorte.


Esquecem-se de todas as noites onde dormi 2h e 3h para conjugar dois empregos com a faculdade? Todos os jantares, almoços, saídas e convívios a que não fui, por ser aquela que “nunca podia”? E os atuais 60/70km diários de carro, para cumprir todas as minhas tarefas diárias?


Isto tinha de dar frutos.


Claro que estou sempre bem, claro que sou feliz, mas fiz por ser. Fiz por estar. E é esse o meu maior trabalho todos os dias.

Mas sabes? o fazer por ser tem tanto de gratificante, como de rigoroso e rígido.


Sou um golpe de sorte, claro.


Tenho uma família incrível, que acredita em mim e nos meus sonhos que não param de crescer. Tenho amigos espetaculares e extremamente compreensíveis, que sabem que só vou ter “meia horinha” para eles, mas que ainda assim não “me dispensam”. E sorte claro, por ter um namorado que me estima, tanto quanto o estimo a ele. Mas esta “minha sorte”, acima de tudo, exige muita disciplina. Incluí variadas noites mal dormidas, muitos eventos deixados para trás, e um plano sempre meticulosamente delineado.


E conheço um “montão” de pessoas assim também.

Conheço Mães-super-mulheres-super-esposas-e-super-tudo-e-mais-alguma-coisa; Jovens prodígios, e adolescentes que no futuro, vão chegar onde quiserem.

Tenho cada vez mais a certeza de que, por vezes, estamos rodeados de talentos completamente desacreditados e desvalorizados, e faço questão de não julgar nenhum livro, pela sua capa.


Agora que deixei de ter de correr (tanto), e comecei a poder fazer este caminho mais vagarosamente, descobri que a regra primordial da vida é esta: quem luta, um dia conquista.


E com tempo as coisas acontecem, com paciência os sonhos concretizam-se, e de braços erguidos o “Nosso Dia” chega.


E não, não é o “Karma”, é o destino que nos dá a oportunidade de sermos por cá, tudo aquilo que quisermos ser.


Oh vida! Há lá “melhor sorte” do que a de ser feliz?

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UM DIA NA TERRA de Ana Teresa Santos

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