• Ana Teresa Santos

E tu, sabes realmente quem és e para onde queres ir?

Nos últimos dois meses estive a descobrir-me, tive de chegar aos 29 anos para começar a perceber, efetivamente, quem sou e para onde quero realmente ir.


O processo de descoberta é duro e solitário. Exigiu que, finalmente, fizesse o início do luto da minha tão amada mãe ao fim de tantos anos, entendesse que “está mas não está” e que o estar é muito além do físico e da presença.

Exigiu que eu entendesse que a vida não se trata com “pensos rápidos” e sorrisos que escondem melancolia, e tantas vezes inseguranças, que eu preferia que fossem escondidas com piadas fáceis ou noites de farra.


Encontrei um corpo que queria ser mais saudável e precisava de ser, urgentemente, nutrido, cuidado e amado de novo.

Descobri o amor da minha família, que se uniu para me salvar e me apoiar quando eu mais precisei. Descobri a dor do meu pai que sentiu todos os sintomas que eu tive, tal como se fossem dele também.

Descobri o meu noivo, em várias facetas, mas cada uma delas mais especial do que a outra, o que me fez apaixonar e amá-lo de uma forma quase espiritual, de tanto que cuidou de mim e me amou em fases tão duras, negras e onde o meu corpo não passava de ossos, dor e ainda assim ele não deixou de me fazer sentir a mulher mais bonita do mundo.


E é assim que me considero, hoje: uma Mulher mais forte, determinada e assertiva quanto ao meu presente e futuro, certa de que o trabalho, a carreira e a profissão não serão a minha prioridade como até então, apesar de ser uma enorme paixão, muito menos numa sociedade em que somos apenas números, afinal, de um dia para o outro, seremos uma lembrança e pó, é a lei da vida e eu prefiro viver com equilíbrio, saboreando todos os lados bons que temos para desfrutar.

Hoje? Hoje encontro-me num processo bem mais simples para alcançar a real felicidade, grata a cada um dos meus amigos que esteve comigo dia após dia, grata às pessoas que sentiram a minha falta, mesmo sem me conhecerem e sem saberem o que isso significava.

Hoje sou mais cautelosa, mas mais certeira do que quero: viver com a certeza de que o irei fazer com a melhor qualidade possível, aproveitar cada dia com atenção pelo próximo, mas comigo em primeiro lugar. Amar a minha família, tanto como me amam. E agradecer, sobretudo agradecer, cada dia em que estamos perante quem nos quer bem é um motivo para vivermos de forma grata e leve, e ser leve é tão bom.






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