• Ana Teresa Santos

Estás pronta para voltar a voar?

Estou a passar por uma situação profissional absolutamente desumana, ainda não te posso adiantar muito acerca do tema, por estar a decorrer um processo judicial, mas posso dizer-te que me sinto devorada, um bocadinho mais a cada dia, pelo stress, pelo desgaste constante, pela falta de respostas e pelos apoios judiciais que o nosso país NÃO TEM com situações absolutamente escandalosas.

Sabes como me sinto neste momento? Um cão que rói todos os dias a réstia de um osso para não morrer à fome, aquilo tanto o sacia como o deixa enraivecido e exausto por não ter mais a que se agarrar.

Felizmente estou no conforto do meu lar, com o apoio de uma família que não me deixa cair- por muito que o abismo seja o caminho mais fácil neste momento- obrigam-me, todos os dias, a imaginar o próximo passo: “Estás pronta para voltar a voar?”.

Nunca fui nenhuma “naif”, trabalho desde os dezasseis anos, sei que o mercado de trabalho está repleto de fintas, entrelinhas e de promessas que jamais se chegam a cumprir. No momento da contratação vendem-nos sonhos, ideias e o mundo encantado das princesas sem dragões, mas isto atingiu o nível da desumanidade, falta de carácter e tudo com uma “vergonha na cara” que jamais imaginei que fosse possível existir.

Até quando? Até quando é que as “entidades competentes não estão à altura para dar resposta a este tipo de situações”? Até quando é que o mundo vai estar entregue aos "Chico-espertos" e aos que se acham mais “Papistas do que o Papa”?.


Hoje escrevo-te mais do que para partilhar a minha revolta, escrevo porque tenho a certeza de que não sou a única a acreditar em “cantigas do vigário”, em “pagamentos que chegarão no dia seguinte”, em “palavras de honra, que eu morra amanhã se não é esta a minha conduta”, e no fim das contas a conduta é uma falta de civismo e de noção da realidade inacreditável.

As leis portuguesas são claras, mas também fáceis de contornar, sobretudo para quem vive a vida sob a arte do “vigarismo”, e lá vão eles vivendo, bebendo e ostentado, enquanto os “pardais” que seguem as regras aguardam por novas indicações, em silêncio, claro, quem causa ruído incomoda, e é importante não incomodar, não vá alguém ficar chateado e “aí é que depois não se resolve mesmo nada e não queremos isso”.

Passemos à cura, se estás como eu, quero ajudar-te: O mar tem sido a minha maior força, é estranha a capacidade que a maresia tem de me fazer respirar, abre-me os pulmões, a alma e é aqui, no Algarve, que me encontro outra vez. Precisava disto, precisava de respirar aqui, no fundo… de respirar de novo.

O mar é puro, cristalino, sabemos sempre o que tem para nos dar: em cada mergulho um refresco, em cada brisa um recomeço.

Não fugi de nada, antes pudesse. Vim abraçar-me de novo, voltar a amar-me, cuidar de mim e da minha casa interior.


Sabes o que te digo? Depois de sermos “pontapeados”, mal tratados e desrespeitados, tal como eu fui, tudo que eu precisava, era de voltar a ver o mar. Talvez seja isso que os malformados nunca tenham visto com olhos de quem sente. De tanta riqueza que ostentam, precisam de perceber que sem pessoas, paz e amor nunca conseguirão, verdadeiramente viver, amar, sentir, vibrar, dormir em sono profundo, nunca serão merecedores de nada com uma conduta assim.…há luxos na vida que dinheiro nenhum do mundo paga, tal como ser cumpridor, de palavra, bom chefe, bom líder.

Um homem sem palavra é um homem sem alma, e uma pessoa assim é tão pobre que nunca saberá qual a verdadeira essência de um mergulho no mar, daqueles que damos quando a nossa alma pede socorro e tudo o que suplica é sol, areia e o oceano para flutuar.

Já dizia o meu avô: Pobre? Pobre é quem tem apenas dinheiro para viver, sabem lá eles o que é amor, isso sim é o que nos mostra quão boa é a vida, quão bom é viver.





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