UM DIA NA TERRA de Ana Teresa Santos

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  • Ana Teresa Santos

Intoxicaram o amor.

Vou escrever-vos na esperança de me ajudarem a perceber um determinado “tipo de pessoas” que são catalogadas nos tempos modernos como “pessoas tóxicas”.


A meu ver, são apenas seres que têm uma espécie de malícia entranhada, quase como se lhes corresse nas veias sangue e maldade. Não percebo- Não as percebo. Vivem de “desgraça alheia”.


São similares às vizinhas do antigamente que falavam de “tudo” cheias de certezas, mesmo que de “nada” soubessem, enquanto bebiam a bica na Mouraria ou passeavam os Caniches penteados numa espécie de “feira de vaidades canina”.


Não sei exatamente o que é que ganham, o que procuram, ou até onde vão, mas no lugar de tentarem ser “mais e melhores”, vivem de olhos postos nos defeitos de outrem e aguardam ansiosamente que tropecemos na calçada, para finalmente serem felizes. Adorava explicar-lhes que assim nunca o serão. Adorava que um dia soubessem ao que sabe a felicidade. É tão bom ser feliz é tão puro e não custa nada. É só viver.


É verdade que tenho ainda que cair muito e que, quase todos os dias, oiço de alguém próximo “O mundo não é cor-de-rosa”, mas o meu mundo é exatamente como eu quiser que ele seja e andará à velocidade a que eu quiser definir o meu passo. Amor com amor se paga e será sempre essa a velha máxima que me guiará.


Sei que algumas pessoas não lidam bem com o facto de eu "ser sempre feliz”, mas eu não quero conhecer outra forma de ser que não seja esta. Todos nós temos problemas ou dias maus, eu não sou obviamente exceção, simplesmente prefiro canalizar o meu tempo e as minhas energias à procura de uma rápida solução, do que a analisar o “problema”, como se de uma “corrida” pelo “drama maior” se tratasse.


Estar vivo é uma dádiva e só o facto de termos um teto, comida, água, luz e gás ao acordar já é motivo para começarmos o dia de um modo mais “pleno”.


E quando assim não o for, olharei à minha volta e lembrar-me-ei da senhora deliciosa que está no metro e que me trata como “A nova Santa Teresinha”. Lembrar-me-ei da Edna e do que a sua família passa diariamente com os cuidados paliativos que ela necessita, sem sequer terem dinheiro para a manutenção mínima obrigatória para a sua sobrevivência e sem um "final feliz" definido e certo. Pensarei no Brasil que ficou desarmado de valores e se perdeu na raiva e desespero do povo e em tantas outras coisas impossíveis de enumerar.


A vida é um momento. E sei que existe maldade quando vejo uma mãe abraçada a um filho que me diz: “admite lá que se pudesses abraçavas a tua mãe e também a enchias de beijos” (?)


O que essa mãe não sabe é que eu abraçarei para sempre a minha mãe. O que essa mãe nunca saberá é que eu, possivelmente, daqui a 10 anos vou lembrar-me das palavras dela e vou sorrir.


Sabem porquê? Porque o mais importante é invisível aos olhos e será eternamente palpável com o coração.

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