UM DIA NA TERRA de Ana Teresa Santos

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Minha querida Mãe.

Minha querida mãe,


Já há muito que não te escrevo…


Não penses que não me lembro de ti, lembro, muito! Lembro-me em cada decisão que tomo para te dizer a verdade. Mas estou a tentar viver assim, sem ti por aqui.


Connosco as coisas estão bem. Estou e sou uma pessoa muito feliz. Trabalho muito para concretizar cada objetivo, deito-me constantemente exausta, mas com uma sensação maravilhosa de dever cumprido. A Marta está a tornar-se num “Mulherão”, juro mãe, devias ver.


Devias? Tenho a certeza de que a vês, que sabes, que sentes. A tua neta, Maria do Mar, parece desenhada a régua e esquadro, e o mano é um pai exemplar, tal como sempre soubemos que ele seria.


Ainda assim, sinto que nunca terei “tudo”. Já tive minha mãe, já tive…


Lembro-me tão bem de ti que chego a achar que a minha cabeça te imagina numa viagem que ainda não teve fim.


Mas sinto tanto a tua falta.


Falta de seres o número um dos registos de chamadas do meu telemóvel. De te perguntar “Mãe, achas que vou conseguir?” e ouvir “Tu minha filha? Tu consegues tudo o que desejares”.


Caramba, eras de outro mundo, és. Serás sempre.


Nasceste para ser Mãe, para ser Mulher, para ser Dona e Senhora do teu nariz.


Constantemente organizada, bonita, brilhante. Que exemplo, que inspiração. És a minha Musa desde o primeiro dia que te conheci.


Foi tão grande a minha sorte de ter alguém assim, a olhar por mim.


Passei esta noite em claro, lembrei-me de ti. Vejo-te várias vezes e não há elogio maior que me possam dar, do que quando me dizem que “te encontram em mim”.


Oh meu amor, esta noite mal dormi, vi-te ao longe, a viajar.


Mas explica-me minha mãe, sendo tu como és….

Como não te sonhar?

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