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  • Ana Teresa Santos

O remate final da vida

Com a chegada do final do ano, acho que é quase automático fazer um balanço de tudo o que passou.


Encontrar o melhor e o pior do que foi vivido ao longo do ano de 2015, é uma das “conversas de café” mais frequentes na atualidade.


“Namorei com a pessoa errada”, “dei demais a quem merecia menos”, “larguei um trabalho e arranjei um muito melhor”. São este o tipo de comentários. Estes e também tantos outros como “pois porque para os refugiados há tudo e os nossos estão na miséria”, mas os dessa “classe” dada a sua inconveniência e burrice estampada estou certa que se manterão no futuro.


Pessoalmente, tive um ano repleto de emoções.


Viajei, conheci, sonhei e muitos dos sonhos com algum trabalho e muita dedicação tornei-os reais.


Fui de Erasmus e vivi com a melhor amiga que o universo conhecera durante essa temporada.


Comecei a colaborar com o Jornal Público, vou, se tudo correr bem, estagiar na agência Lusa e terminarei a minha licenciatura em três anos.


Mantive a mesma relação começada em 2014, e os amigos que tenho, sei que o são de verdade e que não os transportarei para o próximo ano, mas sim para a vida.


Por falar nela, na vida…. Este ano enviou-me um pedregulho tão grande, quase dum peso que não consigo suportar. Faz com que me sinta exausta, caída e sem forças. Faz com que eu baixe as armas a tudo o que me propus e que ampute toda a minha existência.


Levou-me a minha pele, a minha carne e deixou-me em ossos com uma dor que não consigo transportar.


Levou-me a minha mãe. Levou-ma desde o outro lado do mundo, e já me a trouxe em cinzas.


Uma dor de cabeça forte num dia de comemoração. Um tiro certeiro.


Um até já que não mais direi, um até sempre que para sempre ficará.


Sem que a respiração me caiba no peito, vivo a situação de sorriso no rosto, tal como ela desejaria, mas de alma quebrada e totalmente desmembrada.


Tornei-me de choro fácil e o sorriso já nem forçado quer sair.

Apetece-me perder-me de mim, para a encontrar de novo a ela.

Ai que saudades, que me prendem, que me destroem mas que não me levam até onde eu tanto queria estar.


Tudo fiz, tudo fizemos, juntas.


Agarrei os meus, preparei os outros, mas é a mim mesma que me está a custar “segurar”.


2015 Teve tanta coisa boa, mas nunca será recordado por isso.


Daqui a 20 anos o dia 13 de Dezembro de 2015 irá ser recordado como um tornado de sentimentos terríveis, o susto, o medo, a impotência e por fim, a perda.


Sentirmos que não somos capazes de fazer nada mais por aqueles que tudo fizeram por nós corroí. “Esperar para ver” e viver o que já não mais poderemos presenciar é algo que não desejo a ninguém. Tamanha dor não cabe num ser só.

Metade de mim partiu, a outra metade mutila-se psicologicamente a cada dia que passa e sente.


2015 Foi o maior ano de alegria que tive, mas trouxe com ele também, a maior destruição.


E não me avisou, e não me deixou despedir, e não me deixou, mais uma vez, dizer-lhe o quanto a amava e amarei para todo o sempre.


Só queria uma última vez, suficiente para ter forças para viver o resto da minha vida.

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UM DIA NA TERRA de Ana Teresa Santos

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