UM DIA NA TERRA de Ana Teresa Santos

  • YouTube
  • Facebook ícone social
  • Instagram
  • LinkedIn ícone social
Buscar
  • Ana Teresa Santos

Portugal está cansado de não poder parar

Hoje escrevo diretamente para ti.


Tu que és mãe solteira e carregas toda a tua casa às costas. Para ti que estás desempregada, ou para ti que com por alguma vicissitude da vida, ganhaste “peso nos braços” para lá das tuas medidas.


Falo diretamente para a mãe-coragem, a irmã-amor, ou para a avó-heroína.


A verdade é que por muitos artigos que saiam na revista “Visão”, a declarar Portugal como o melhor sitio do mundo para viver, há aqui gente já sem força sequer para se mover.


Andamos todos cansados, todos. Por um motivo ou outro, de cada vez que me encontro com um amigo diferente no café a conversa é a mesma, “estou bem, estou cansado”. A vida está-nos a cansar. Vivemos a correr para uma meta cujo o propósito nem eu sei qual é, nem de atingir o quê.


No trabalho, sentimos que ou damos tudo, ou haverá sempre outro “alguém” para nos substituir, no trânsito atropelamo-nos uns aos outros em insultos e agressividade gratuitas.


Andamos severamente absorvidos em objetivos errados, num contrarrelógio constante e onde o tempo é o nosso maior rival.


Chega. Até onde? Até quando?


Claro que temos de trabalhar, claro que temos de nos esforçar e é fulcral que sejamos cada dia pessoas melhores em diferentes pontos, mas essa obrigação tem de vir de dentro.


Estamos a tornar-nos seres insaciáveis. Viciados no trabalho e na vontade de querer.

Sabes? Para sermos felizes, temos de querer sê-lo. Aceitar de livre-arbítrio as coisas boas que o Universo, ou uma qualquer outra coisa nos envia. Temos de acordar e pensar todos os dias na sorte que temos em ter a pessoa X ou Y na nossa vida. No prazer que é vivermos num Portugal quente e confortável, onde a sardinha é fresca e a música se faz nos recantos populares das ruelas escondidas.


Temos direito a beber a nossa tão cobiçada cerveja gelada e, de contemplar o pôr-do-sol numa dessas esplanadas da moda feitas a pensar nos estrangeiros que nos invadem e glorificam as cidades.


Temos a obrigação de viver, respirar fundo, usufruir e, acima de tudo, de sabermos quando deveremos parar.


O nosso corpo é uma máquina fantástica, mas até ele por vezes precisa, necessariamente, de um refresh.


Dá-te ao luxo de, pelo menos uma vez na vida, respirares fundo sem te lembrares do tempo que isso te faz perder. E esquece os outros, esquece o que possam dizer, o que possam pensar, ninguém é mais importante do que tu.


Vive. Vive muito. Vive (com) tudo. E nunca em tempo algum percas essa vontade de viver.

2 visualizações
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now