UM DIA NA TERRA de Ana Teresa Santos

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Protótipos e outras parvoíces do género

Há uma proximidade entre a liberdade e a estupidez demasiado curta.


Vivemos de construções idealizadas por outros. O que eles querem para nós, será o que nós monopolizados também acabaremos por querer.


Fica bonito termos um canudo e fugimos da arte como o Diabo da Cruz. A arte em todo o seu esplendor, a arte que tanta coisa abrange e tanta coisa de fantástica nos trás, a arte que está em cada um de nós com os seus traços e à sua medida.


O socialmente aceite é apenas o politicamente correto – Quem gostar de representar, nem pensar envergar pelo teatro, porque será um infeliz e um sem rumo aos olhos de quem não vê o talento que por ali passa.


Música é um hobbie, ser músico não é uma profissão. Que luxo seria poder passar uma vida só a estudar exaustivamente para criar mais e melhor possível, já viram? Isso é para meninos. E a literatura… ai a literatura, essa então vista por terceiros é a profissão de quem tanto sonha mas que nunca conseguirá passar para além disso.


E sabem? No fundo a literacia é isso mesmo, sonhar com os pés assentes na terra, e não é isso tão delicioso?



“Ser poeta é ser mais alvo”, li por ai. Não é só ser poeta, é ser artista. É fazer arte seja ela transmissível por que meandros for. Temos demasiados ignorantes encapuçados de doutores e demasiados fatos e gravatas vestidas em almas selvagens e que foram feitas para viajar em tempos e espaços construídos de raiz.


Somos um mundo que vê euros, nem que para isso tenha de parar de ver sonhos e felicidade e amor e fascínio por aquilo que faz ao longo de toda a sua vida.


Claro que temos de engolir sapos, não serei hipócrita ao ponto de dizer que dinheiro não traz felicidade, sendo que ajuda obviamente a desenhá-la, mas de que nos serve uma felicidade sem alegria? Sem alma? Sem luz?


Para que nos serve viver a vida se não for para o fazer no seu máximo expoente?

“Menos é mais” em muita coisa, mas nunca em sorrisos genuínos, felicidades desmedidas e sonhos que tenham formas, sejam elas quais forem.


O importante não é vivermos cheios de bens, é vivermos cheios de tudo o que de melhor nos rodear.


É trabalharmos exaustivamente em algo que nem nos faça sentir aquilo enquanto um trabalho.


É dentro das obrigações vivermos todas as vitórias a que temos direito, sejam elas para um público cheio ou num fim de tarde descalços em casa sozinhos, ao som de uma boa música e com o sentido de dever cumprido.


Não há nem nunca haverá melhor sensação de “viver bem” no lugar de “estarmos bem”.


E no fundo, são tantas as vezes que poderíamos ser felizes e nem o sabíamos pela cobardia de não arriscar.

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