UM DIA NA TERRA de Ana Teresa Santos

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  • Ana Teresa Santos

Quanto tempo dura uma lufada de vida?

Sabem o que eu queria agora?


Que o tempo parasse por um momento.


Que o relógio perdesse o sentido negativo que ganhou. Em que parte da vida é que lhe demos este peso tão grande? Em pequenina o relógio era feliz, positivo, amigo. Contava aniversários, encontros de famílias e natais com a mesa cheia.


Em nenhum momento me provocou respirações descontroladas nem reações precipitadas. Não me fez ter medo que o telefone tocasse nem que o calendário andasse. O ruido dos ponteiros que outrora soava era melódico e não mais me trocou os planos se algum dia eu precisasse de adormecer.


O tempo é a nossa maior riqueza, a nossa maior fortuna. É aquilo que jamais poderemos repor.


Oh vida, é a isto que tu chamas de ser adulto? E o que me aconteceria se eu hipoteticamente não tivesse de dizer o mesmo “bom dia” apressado todas as manhãs de forma fogosa? que sensação é esta de morte subida, que teima em me fazer sentir que é assim que tenho de me sentir viva?


O mundo tem cor, tem sabor, mas vive tão apressado… porque é que as vitórias são sentidas a correr, como se tivéssemos numa constante corrida de 100m? E se eu não quiser participar? Não preciso de ganhar, não tenho nada a provar, não é essa a minha missão. Eu só quero viver.


Quero amar com intensidade. Viver com vaidade a minha família, saborear entre amigos o peixe da nossa costa, e fazê-lo ao por-do-sol sem pressa de ir.


Quero viver as saudades que transporto. Chorá-las sem vergonha ou receio de que alguém me veja. É assustador imaginar que o tempo um dia as irá curar como todos dizem que irá acontecer. Não! Quero que o tempo as marque, as arranhe e que elas me definam enquanto pessoa- As saudades fazem me crescer. Existem porque valeram cada segundo e eu quero que nenhum desses momentos seja apagado.


Parem o tempo. Deixem-me só respirar um segundo.


Precisamos (apenas) de uma lufada de vida. De valorizar os nossos. De dizer “Amor” mais vezes. “Saudades”, e “até já, estou a chegar, calma, vim para ficar”.


A vida é o que somos aqui, é o que somos agora. Vivam! há coisas que não mais se repetirão, e o dia de hoje não é exceção.

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