UM DIA NA TERRA de Ana Teresa Santos

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  • Ana Teresa Santos

Sofri de Violência Doméstica

Atualizado: 15 de Out de 2019

Sofri de violência doméstica. Eu, que me mostro tão dona e senhora da verdade e da razão, que pareço tão decidida e determinada, capaz de resolver todos e quaisquer conflitos- os dos outros. Os que não me tocam. Somos tão peritos a resolver vidas alheias, não é?


Nunca tinha sentido ansiedade ao escrever nada, mas chegou a hora de partilhar convosco uma má altura da minha vida, porque tenho a certeza que ajudará outras pessoas a “saírem desta”.


Tudo isto se passou no meu período académico, o primeiro ano de namoro foi de sonho… nada indicava um fecho trágico, mas o amor tornou-se perigoso.


Essa saia é para quem? E esse decote? Para quê? Gostas mesmo de chamar à atenção, sua deslavada, não tens vergonha? Claro, as tuas amigas... todas putas.” na ótica dele, eram todas más influências. De repente a minha vida estava toda errada, o que eu vestia, a forma como eu me movia, com quem eu me relacionava, a forma como eu comunicava. Tudo em mim estava mal. “Sabes... tu não vales nada, as pessoas só olham para ti pelo teu corpo, OUVISTE? OUVISTE-ME? RESPEITA-ME!”. aumentava o meu medo, e diminuía a minha confiança, o meu espaço enquanto pessoa, e o meu ser.


Deixei tantas vezes de ser pessoa, para ser apenas alguém que cumpria tarefas. Lembro-me o mínimo possível dessa época no que toca a ser mulher. Tinha dois trabalhos para pagar a minha faculdade e até nos meus dois empregos ele estava. Os outros achavam querido “Oh... gosta mesmo de ti, sempre a acompanhar-te, sempre presente”.


Sabem? estou a contar-vos isto para que entendam que NÃO É NORMAL!...Aquele olhar que só quem já viu reconhece, aquele controlo, aquele desrespeito, aquela insinuação e o medo, o constante medo que me perseguia.


Não aceitem isso! O amor é feito de várias coisas, e nenhuma delas é a possessão, o controlo ou a violência. Essas pessoas são e estão doentes e nós, nunca, em tempo algum, temos o poder de as curar, mesmo que seja esse um dos propósitos pelo qual fiquemos.


A nossa vida é tão mais valiosa do que um amor tóxico, doloroso e sofrido. Há muita vida no amor, há demasiada vida em amar, mas tudo começa no amor que temos de criar e nutrir por nós. Todos os sinais têm de ser lidos.

Antes de amarem alguém, amem-se a vocês mesmos e não, não tentem curar alguém doente, sob pena de acabarem vocês numa situação grave.


Espero, do fundo do coração, que saibam que não estão sozinhos e que entendam que a violência doméstica, por vezes, está mais perto de nós do que achamos, mas que é possível sair disso, sem mazelas e com finais felizes!!


O amor é bom e faz-nos sonhar, mas temos de ter espaço para voar, e confiar, confiar, confiar!

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