UM DIA NA TERRA de Ana Teresa Santos

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Sonhos de papel

Todos os dias cada um de nós acorda com um propósito.


Mais que não seja o propósito de ver o dia fundir-se com a noite ou o de procurar saber como estão os nossos, ou os que um dia poderão também vir a sê-lo.


Criamos metas, aprovamos objetivos e focamo-nos nos nossos ideais de vida.


Entramos em campo, e com a bola nos pés esforçamo-nos para marcar um golo na baliza adversária. Procuramos o sentir do “golo” pela ânsia da vitória. Todos os dias as temos, sejam elas quais forem. A vitória de um dia cheio concluído, o bom aproveitamento em determinado trabalho, ou até mesmo o encontro da solução que faz tanto tempo esteve sob o nosso olhar e por vezes não a víamos.


Os meus sonhos são de papel. Sou feita de manuscritos, com o apoio de uma caneta “Bic” com que, facilmente, acabo com a tinta. Acompanho-me tanto do meu bloco de notas e das minhas ideias como da ilusão de que o mundo é um local maravilhoso para viver.


Olho para o nada e daí procuro escrever tudo. Analiso pormenorizadamente cada canto das cidades que percorro de lés a lés; Estudo tudo o que mais me dá prazer e retrato-o da forma mais real que consigo.


Os meus sonhos são de papel. Sonhos que já se amolgaram, já foram pisados e até que já me roubaram. Mesmo assim eu volto a desenhá-los, sublinhá-los e rabiscá-los. É isso, vivo de retoques, de remendos e sei que alguns deles já não mais serão remendáveis.


Vivo de perdas que se encontram. De encontros que não mais se cruzam, de amizades que vou fazendo por cada caminho que sigo e por cada passo que por mais difícil que seja, tento sempre dar.


E já viram bem? Viver de remendos é fantástico.


Sentir as lágrimas tanto quanto os sorrisos, viver de cores mas também de sépias. Viver com sangue nas veias e sem filtros de instante.


Viver os abraços com a essência do momento. Tocar o invisível, amar o irreal, perder os sentidos com os pés no chão e a cabeça na lua.


É tão bom ser a melhor amiga dos recantos dos meus próprios esboços.


Nenhum dia se repete. Todos os nascer-do-sol têm sabor, ainda que alguns a amargo.


Mas o que é a vida sem sentidos? De que nos servem os percursos sem trilhos que nos piquem as pernas?


Vamos cair, vamos todos deixar-nos ir. Porque no dia em que nos levantarmos… esse será o verdadeiro dia da vitória. O amargo passará a doce e as flores renascerão.


Em cada salto há uma queda, deixem-se de paraquedas, atirem-se de cabeça.


E é nesse dia, tenho a certeza, que coração agradecerá.

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