• Ana Teresa Santos

Todos os dias são os certos para recomeçar.

Estou à procura de trabalho em alguma das minhas duas áreas de formação: Comunicação ou Marketing.


Tomei apenas uma decisão: já não quero trabalhar em televisão, porque a televisão nunca me quis a mim.


Tive a sorte de conhecer vários coordenadores de programas, diretores de canais e até ao dia de hoje “nunca nenhum projeto se enquadrou com o meu perfil”, desde os canais públicos aos privados, da Informação ao Entretenimento.

Isso já me causou revolta, falta de confiança, de amor próprio, tristeza, mágoa, mas também o revirar da moeda: uma obsessão imensa por conhecimento, por querer ser a melhor, pedir para repetir e repetir até à exaustão. Em cada cena considerei-me sempre uma desilusão, considerei que existia sempre alguém que fizesse o trabalho melhor, que eu própria podia ter feito tudo de forma diferente, que se eu fosse outra pessoa, com outra postura, tudo seria mais fácil.


Hoje vivo tão bem com tudo isto, hoje cresci.

Já não procuro respostas.

Se não foi, não era para ser.


“O jornalismo não é uma profissão, é um estilo de vida”, e eu desliguei-me disso e aprendi a desfrutar de outras coisas, permiti-me apaixonar-me, a deixar que as pessoas se chegassem, a mostrar-me, a estar com os meus amigos para lá das chamadas e mensagens a correr.


Comecei a aparecer, a jantar e a brindar pausadamente.


Comecei a ser a amiga que chega com o chá e com bolachas, a amiga que pergunta se está tudo bem.


Aprendi que uma profissão não é o que somos, mas aquilo que fazemos dela.

E é por isso mesmo que agora estou a enviar CV’s somente para onde sinto que me poderei sentir bem e enquadrada, construir uma vida no presente mas com os olhos apontados para o futuro.

Onde sei que poderei ser a Ana Teresa Santos profissional, mas a Teresa pessoa.

Um sítio onde entrarei com a certeza de que “eu” interessarei, mesmo que até agora nunca tenha interessado aos olhos dos juízes dos “Grandes Jornais”.


Até lá? Até lá estou a fazer algumas horas a servir às mesas num restaurante de um bom amigo, e tão bem que me faz!

Comunico como tanto gosto, tenho uma rotina, pratico línguas, se necessário, trabalhamos em equipa, somos rápidos, unidos, proativos, a pontualidade é um fator primordial e ainda melhoro o meu “à vontade” para me dirigir a todo o tipo de cliente que nos visita.


Há sempre um lado positivo, sempre, e eu sei que um dia uma Entidade Empregadora me quererá tanto quanto eu a quero a ela.


Até esse dia chegar, estou assim- a viver, a aprender, estou leve, livre e feliz.




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