Buscar
  • Ana Teresa Santos

Um balde de água fria, com amor.

Da minha maior frustração, diretamente ao teu coração, se o tens.


Com que justiça se desaparece da vida de alguém assim? Que espécie de ser abandona todos à sua volta sem “mas” nem “porquês”, preparação ou um mísero “adeus”?

Com que direito me disseste “até já” se o já não voltou mais? O para sempre sempre acaba, mas não é justo que o teu tivesse acabado com a brevidade tão feroz que acabou.


Eu amava-te, tu foste. Como explico isso ao meu dia-a-dia? Onde toca, quando te ligo? Quem me ouve quando é sempre para ti que falo?


Ensinaste-me tanta coisa… Mas era preciso mostrares-me em ti o quanto a vida é efémera?


Obrigada. Sim, obrigada. Consigo agora valorizar a saúde mesmo quando a tenho bem, e sou capaz de ligar aos meus amigos mais próximos apenas para lhes relembrar o maravilhoso que é tê-los. Procuro não deixar nada para fazer, ainda que o errar esteja na “lista de tarefas” a cumprir.


Sou boa miúda, sabes? E muito a ti o devo. Todos os dias deixo o sol entrar na minha janela da frente, e todas as noites sei o quão boa a vida é, porque posso vivê-la.

Estás perdoado. Por me teres deixado, atrocidado, magoado, desfeito. Perdoado porque me mostraste como amamos tanto para além daquilo que é visível ao ser, e aos olhos que temos na cara. Vejo-te todos os dias com o coração, com a força da memória e no decorrer de cada sorriso e conquista pessoal.


Filha da mãe da vida que é ingrata”, disse-te uma vez. E tu respondeste-me apenas “não é ingrata minha filha, é simplesmente a vida“. Que palhaçada de trocadilho mais certeiro. Que frase mais pré-definida mas irrevogável. É a vida – passageira, única e tão feroz nas alegrias que nos proporciona e nos desafios que nos lança.


Graças a ti saboreio tanto cada vitória, como cada derrota. As duas proporcionam-me diferentes emoções: fazem-me agir, lutar, cair, amar e erguer-me tantas vezes quanto forem necessárias. Conheci a importância de chorar de alegria, e procuro entender sempre o que me leva a perder a cabeça e querer baixar as armas por tristeza.


Olha, é isso mesmo, agora ensino-te eu, a vida é uma eterna escola, onde os professores são aqueles que têm algo para nos dar, e os alunos são todos aqueles que têm alguma coisa a aprender connosco mesmos.


Obrigada. Graças a ti aprendi a lamber as feridas e a sorrir para o tempo que passou. Não tenho medo, tenho sonhos e, enquanto sonhar, vou sempre viver.


Até já, seu malandro, vejo-te por aí.

0 visualização

UM DIA NA TERRA de Ana Teresa Santos

  • YouTube
  • Facebook ícone social
  • Instagram
  • LinkedIn ícone social
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now