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  • Ana Teresa Santos

Vivemos em guerra e ninguém nos preparou para isso

Dizer que vivemos um “tempo estranho”, é a forma mais meiga com que podemos descrever esta nova realidade que nos assombra.


Porque é que ninguém nos preparou, pelo menos, para os últimos abraços, beijos e despedidas? para o desemprego, para a crise económica, e até para a capacidade psicológica que temos de ter, de cada vez que vemos um noticiário, esse que agora é tão imperdível como angustiante?


Hoje? as televisões públicas e privadas deram a mão com a mesma intensidade que os bombeiros, a polícia e o serviço militar, tudo para nos garantirem que, pelo menos, no conforto do nosso lar, sentiremos que não estamos sós, desamparados ou abandonados.


Não sei quanto a vocês, mas nunca tive tantos medos em simultâneo: do incerto, do desconhecido, de um bicho invisível e que me pode levar a minha avó ou tantas outras pessoas frágeis, mas que ainda têm tanto para nos oferecer.


Ir ao supermercado é comparável com uma batalha campal e faço-o apenas em prol da minha sobrevivência. O momento alto do meu dia é quando passeio a minha cadela, e graças a Deus que não se morre de saudades, caso contrário, já cá não estaria.


A solidariedade está em todas as portas, os vizinhos conheceram-se e a entreajuda é notável e isso faz-nos bem à alma e ao coração. Mas a malícia, que sempre existiu, parece que ficou mais “apuradinha” do que nunca, enquanto uns aprenderam a cozinhar, outros aplicaram-se na arte de espetar farpas, a título gratuito, para alimentarem o seu ego, reduzindo o do próximo. São “Os profissionais do escárnio e maldizer das redes sociais”, estão mais ágeis do que nunca a espalhar as suas mensagens. Pergunto-me, porquê? Com que efeito? Vou tentar explicar-vos o seguinte: Se não gostam de determinada pessoa, não sigam o trabalho dela, não a procurem, é cansativo e intoxica qualquer cérebro que vos rodeie, e de vírus já estamos todos fartos de ler e ouvir falar.


Pesquisem por bons livros, oiçam boa música e… façam, quiçá, algo produtivo que não seja denegrir o trabalho alheio, façam o vosso melhor e de forma diferente, superior, elevem-se sem rebaixar o próximo, não é difícil e só assim conseguiremos atingir o progresso, todos juntos, ainda que o possamos fazer por caminhos diferentes.


Está tudo bem se não formos todos amigos, o que está menos bem é quando passamos os limites do respeito, da educação e da pouca noção de espaço.

Há uma linguagem universal obrigatória: a da Humanidade e essa é importante que seja implementada a todos de igual forma.


O dia de hoje já passou, é menos um que terás para viver da melhor forma possível, será que essa discussão que tiveste, sim, essa mesmo… será que valeu mesmo a pena?




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UM DIA NA TERRA de Ana Teresa Santos

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