• Ana Teresa Santos

Vou casar, que bom! Ou… será que não é bem assim?

Dia 10 de Maio, em Marrocos, mais precisamente no Deserto, recebi o pedido mais inesperado e romântico até então.


Chorei, bloqueei, dirigi-me aos desconhecidos, das mais diversas nacionalidades, que ali se encontravam com o anel em histeria total “I SAID YES!!!”, (pessoas essas que não me ligaram absolutamente nenhuma e que devem ter achado que alguma especiaria me caiu mal com tanta gritaria). Enfim… vivi um dia para não mais esquecer.


Passando a alegria, cheguei à parte prática: informar os mais próximos, e por fim colocar a fotografia nas redes sociais para partilhar o momento, o “habitué” que abre uma porta ao mundo dos “opinadores”, aqueles que gerem extremamente bem a vida de terceiros, e que, por norma, nunca fariam nada como nós fazemos.


Mas já?” “Desta forma?” “Não deviam fazer mais coisas juntos?” (“coisas” abstratas e aleatórias, sem nunca mencionarem exatamente o quê, nem o porquê, a regra é jamais estarem de acordo com a posição/escolha que nós determinamos como a melhor para nós.).


Sem grandes dramas, diria que a nossa sociedade, atualmente, está mais preparada para a guerra do que para a paz. Desde que ligamos a televisão para vermos as notícias, ao sonho de casarmos pela primeira vez, e este ser quase um “produto de luxo”. Mas é natural, o mundo está repleto de terror, dor e de separações brutescas, é quase contra a maré quando surge alguém a querer “aprender a ser feliz”.


Um casamento não é só uma união que desejamos que dure tanto quanto possível, é o início de uma vida a dois. Isso implica assumir responsabilidades: Atualmente uma renda em Lisboa assemelha-se a uma vida de Resort, sim até um T1 na periferia. Um novo enxoval, mesmo que seja comprado no IKEA tem de ser adquirido às prestações. O dia-a-dia exige escolhas meticulosamente pensadas, como: um carro para cada um ou uma viagem a dois para que a “chama do casal” se mantenha acesa.

Não foi só amar que se tornou um desafio, viver com o mínimo de qualidade e bem-estar também é uma corrida de estafetas, e ou trabalhamos em equipa, ou não alcançamos a meta.


Atualmente um casamento, que no fundo é uma cerimónia de um único dia, cujo propósito é juntar os amigos e familiares, custa entre 150€-300€ por pessoa. Pergunto-me: como? De que forma é que é suposto um casal ter a capacidade para suportar este valor?!


Obrigada, amor, estive aqui a fazer contas, gostei muito de toda a tua entrega, mas (infelizmente) o que precisamos agora é de remodelar a cozinha, encher a despensa de mantimentos e atestar o carro enquanto podemos, afinal os aumentos têm sido duros. Posto isto, sugiro juntarmos a família e os amigos junto à praia, fazemos uma fogueirinha e lado a lado esperarmos por melhores dias.


Haja saúde que isto está pouco para festarolas e grandes momentos de alegria!




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